Uma outra história
A ultima vez que escrevi no blog foi em 2014 e posso dizer que já não sou mais a mesma.
Tanta coisa aconfeceu, muita gente que eu amava e que achei que teria pra vida toda hoje não está mais comigo e não me refiro apenas aqueles que a morte levou, mas também aqueles que estão vivendo e que por algum motivo, talvez eu saiba quais são, não estão mais ao meu lado.
Em 2014 comecei o curso de psicologia e agora em 2019 concluo. Que aventura tem sido fazer essa graduação.
Quando entrei as cadeiras que me chamaram atenção foram tres: processos psicológicos basicos, psicologia do desenvolvimento e aprendizagem (aqui eu falava muito do meu irmão Pedro) e filosofia.
Hoje eu me lembrei de como tudo era novo pra mim naquela época, eu aprendi sobre pessoas que nunca tinha ouvido falar. Ali descobri que "Deus está morto" era uma frase de Nietzsche e descobri o porquê dele dizer aquilo e não era nada parecido com o que as pessoas diziam. Lembro de na aula de filosofia perguntar ao professor se ele namorava, mas não lembro o porquê da pergunta, sei que não estava paquerando o professor, apenas curiosa pra saber como era a vida acadêmica.
Eu fiz amizades ali que espero levar para a vida toda. Tenho certeza que hoje eu amo todos os amigos que fiz, cada um de um modo único.
Lembro dos primeiros dias no grupo de estudo de psicanálise e de como eu queria entender aquilo e queria ter experiências na clínica como aquelas que ouvia as pessoas relatarem.
Passei por extensões que tive medo e outras que amei. Aprendi sobre psicometria e muuuito sobre transtornos de ansiedade.
Tive curiosidades quanto as questões da loucura, mas hoje não vejo em mim as paixões sobre a temática que via nos outros que falavam sobre. Não que não ache interessante a temática, mas não é como pensei que seria.
Me vi muitas vezes insegura na prática, no aprendizado e sei que ainda me verei muito nesse lugar neste último ano.
Eu questionei, concordei, discuti, ri, e chorei e dormi noites mal dormidas. Aprendi com os erros, escrevi um ensaio e publiquei num congresso. Eu viajei, viajei pra outras cidades e viajei na minha mente e em cada ideia nova que me foi apresentada.
A curiosidade que sempre carreguei me fez mergulhar em territórios desconhecidos, ir a lugares que até então eu achava que não deveria e lá encontrei tanta riqueza.
Eu me apaixonei algumas vezes, por aquilo que via, ouvia e me chamava atenção. Eu me apaixonei por teóricos e também os odiei, isso também aconteceu com professores e alunos (risos).
Lembro de um crush no início do curso, ele tinha cabelos loiros e em um momento que estava sentada na frente do departamento ele chegou em sua bis, tirou o capacete e balançou os fios loiros como naquelas cenas de filme adolescente que o galã chega e encanta a todas, importante colocar que a luz do sol sobre ele fez com que este parecesse um Deus grego. Felizmente foi um crush de momento, o encanto passou assim que a luz do sol saiu de cima dele.
Eu tinha o costume de sentar em frente ao prédio, a maioria das vezes sozinha, e ficar observando a passagem das pessoas e dos ônibus. Na metade do curso eu perdi um pouco do hábito, principalmente porque passava a maior parte do tempo em aula. Mas agora no final do curso retomei o velho hábito e lá encontrei novas pessoas, elas não desceram de uma bis com a luz do sol as fazendo parecer deuses gregos, mas elas tinham sua propria luz, uma delas até no sobrenome (risos). Sobre esse eu reservo as palavras somente pra mim.
Eu aprendi muito durante esse curso e foi muito mais que conteúdos acadêmicos, as aulas foram principalmente sobre amizade e companheirismo. Eu tive a oportunidade de sofrer a dor do outro como se fosse minha e ainda sinto isso mexer comigo mesmo depois de algum tempo. Eu segurei na mão do outro e quis muitas vezes que a sua dor fosse só minha, porque não queria ver pessoas que amava sentir tanta dor.
Eu quis poder resolver o problema de todos, mas soube que não tinha esse poder.
Eu quis brigar com namorados e ex's por fazerem as pessoas que eu amava sofrer. Quis ir em outras cidades tirar satisfação e dizer "quem você pensa que é pra tratar fulano e ciclana assim?"
Eu me abri, eu me fechei, eu tive confiança e tive muito medo. Medo de não conseguir, medo de não dar certo, medo de perder. Eu ainda tenho medo.
Enquanto escrevo o que mais me toca é o pensamento de que amei e como amei. Eu também tive raivas.
Não sei como concluir isso, mas já faz algum tempo que escrevo um texto que faz eu sentir uma singeleza difícil de explicar.
Mas é isso, sem mais... Os próximos capítulos estão por vir...
Estou me abrindo, mas tenho medo.
Como diz uma música de Belchior:
"Eu tenho medo e já aconteceu
Eu tenho medo e inda está por vir
Morre o meu medo e isto não é segredo
Eu mando buscar outro lá no Piauí
Medo, o meu boi morreu, o que será de mim?
Manda buscar outro, maninha, lá no Piauí"


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